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Relato e percepções sobre a participação do evento: FIC em Movimento – Vinhedo 2025

28 de outubro de 2025 Diário de Bordo

No dia 18 de outubro de 2025, o Festival de Invenção e Criatividade (FIC Vinhedo) reuniu estudantes, professores, famílias e diferentes parceiros da comunidade no CEPROVI, em Vinhedo (SP). Promovido pela Secretaria Municipal de Educação, com apoio de outras áreas da administração local, o evento transformou o espaço em um ambiente dinâmico de experimentação, convivência e aprendizado.

Representando o Instituto Escolas Criativas, Ana e Juliana acompanharam as atividades com o objetivo de conhecer experiências inspiradoras de aprendizagem criativa e fortalecer conexões com educadores da rede municipal.

  • Diversidade de projetos e aprendizagens

O FIC ocupou dois andares do CEPROVI, com exposições de projetos escolares que refletiram a riqueza e a variedade das práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas municipais. As produções abrangeram diferentes componentes curriculares, objetos de conhecimento e etapas de ensino, da educação infantil aos anos finais do ensino fundamental.

Chamou atenção a diversidade temática: muitos trabalhos abordaram sustentabilidade e meio ambiente, com hortas escolares, maquetes ecológicas e reaproveitamento de materiais. Outros trouxeram enfoques em educação antirracista, a partir de atividades sobre tons de pele; jogos de RPG e micromundos digitais que exploravam elementos de narrativa, mas também haviam projetos voltados para cartografia e topografia do município, Jogos Olímpicos e cultura esportiva para o ensino fundamental, arte circense, experimentos com luz e sombra e propostas heurísticas na educação infantil, valorizando a curiosidade, a investigação e o aprender fazendo.

Essa multiplicidade de temas e formatos demonstra o esforço das escolas em articular diferentes áreas do conhecimento, conectando currículo, criatividade e território.

  •  Oficinas e experiências interativas

Além das exposições, o FIC ofereceu oficinas temáticas com inscrição prévia, que ampliaram o envolvimento do público e estimularam a experimentação. Entre elas, destacaram-se:

  • Criação de jogos com materiais reutilizados, integrando sustentabilidade, design e raciocínio lógico;
  • Espaço para customização de camisetas, combinando expressão artística e reaproveitamento de tecidos;
  • Ateliê de criação de personagens, em que participantes desenvolveram bonecos autorais ou versões de si mesmos (como em atividades de cosplay) — essa oficina, inclusive, resultou em um concurso de personagens, muito celebrado pelo público;
  • Pintura com luzes, unindo arte e física em experimentações com movimento e tempo de exposição.

Essas atividades evidenciaram o caráter criativo e colaborativo do evento, aproximando estudantes, famílias e visitantes em torno de experiências práticas e inspiradoras.

  • Integração com o território

Em uma área anexa ao prédio principal, o festival reuniu produtores, comerciantes, artistas e artesãos locais, fortalecendo o vínculo entre escola e comunidade. O espaço tornou-se um ambiente de trocas, saberes e expressões culturais que complementam as atividades pedagógicas.

A programação contou ainda com serviços comunitários, como uma sala de vacinação da Secretaria Municipal de Saúde e um espaço de acupuntura, reforçando o caráter integrador do evento e sua dimensão de cuidado coletivo.

  • Receptividade e interlocução

Durante a visita, fomos recebidas com atenção e cordialidade pelo Secretário de Educação, Rogério, e pela Comissão Gestora, que demonstraram reconhecimento pela parceria com o Instituto Escolas Criativas e pela importância da colaboração técnica nas ações de formação e acompanhamento.

A interlocução foi produtiva e aberta, marcada pela valorização mútua do trabalho desenvolvido em rede e pela disposição em ampliar diálogos futuros.

O único ponto sensível observado ocorreu quando Érica apresentou um levantamento da quantidade de escolas representadas em cada sala expositiva que possuíam relação direta com projetos de aprendizagem criativa. Apesar da pertinência do dado, a forma como foi destacada essa informação revelou que a abordagem da aprendizagem criativa e a implementação do projeto ainda não são compreendidas ou tratadas de maneira sistêmica pela principal ponto focal da rede. Esse aspecto indica a importância de seguirmos fortalecendo o entendimento coletivo sobre a aprendizagem criativa como um eixo integrador e transversal, e não como um conjunto isolado de ações ou projetos.

  • Observações de campo

Embora não houvesse identificação visual explícita do Instituto Escolas Criativas (como banners ou camisetas), foi notório o apropriamento conceitual dos princípios da aprendizagem criativa por parte de alguns participantes que conversamos. 

Um exemplo marcante foi a apresentação de estudantes da Escola Municipal Integração, participantes da disciplina/clube de Aprendizagem Criativa, coordenado pelo professor Diego Gonçalves. O projeto tem como foco oferecer um espaço de experimentação prática dos conceitos da Aprendizagem Criativa, especialmente por meio da robótica e do trabalho colaborativo. Durante as falas dos alunos, era perceptível o domínio de conceitos como autoria, protagonismo e experimentação — evidenciando o impacto positivo das experiências proporcionadas pelo clube.

Em conversa com a diretora da escola, ela destacou o vínculo e a trajetória formativa dos estudantes que participam da iniciativa há cerca de dois anos — hoje no 9º ano — e que se diferenciam pela postura, engajamento e autonomia. Com emoção, comentou que “gostaria que eles não saíssem da escola nunca”. Nesse diálogo, junto ao professor Diego, surgiu a ideia de criar uma estratégia de continuidade, permitindo que esses alunos, mesmo ao ingressarem no ensino médio, possam atuar no contraturno da escola como monitores dos novos participantes do clube, ampliando o ciclo de aprendizado e colaboração entre pares.

Síntese

O FIC Vinhedo 2025 se destacou pela:

Diversificação dos projetos escolares, envolvendo múltiplos componentes curriculares e etapas de ensino;
Integração entre escola, território e comunidade local;
Ampliação das linguagens de expressão, com arte, tecnologia e sustentabilidade;
Participação ativa de estudantes e famílias em oficinas e atividades interativas;
Boa receptividade da gestão municipal e interesse na continuidade da parceria e conversas futuras.

A presença do Instituto reforçou a importância de acompanhar e registrar experiências que traduzem, de maneira concreta, os princípios da aprendizagem criativa e o compromisso das redes com práticas significativas e integradas.