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Protagonismo estudantil: por que colocar o aluno no centro melhora a aprendizagem

7 de maio de 2026 Pelas lentes da Aprendizagem Criativa

O protagonismo estudantil, cada vez mais presente em debates educacionais no Brasil e no mundo, busca dar mais propósito à educação com a formação de alunos autônomos, críticos e preparados para lidar com os desafios do mundo contemporâneo. Ele é um dos aspectos que surgem quando o aluno passa a ocupar o centro do processo de ensino e aprendizagem.

À medida que esse movimento se consolida na escola, seus efeitos se desdobram em múltiplas dimensões. O ensino se transforma, já que o professor passa a adotar abordagens pedagógicas mais significativas e conectadas à realidade dos estudantes. Ao mesmo tempo, os alunos assumem um papel mais ativo em sua aprendizagem, com mais espaço para se expressar, serem ouvidos, participando da construção de seu conhecimento durante toda a trajetória escolar.

Essa dinâmica contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes, ampliando seu repertório e fortalecendo sua capacidade de fazer escolhas mais conscientes ao longo da vida. Seja ingressar em um curso universitário, seguir uma profissão, assumir um trabalho ou trilhar caminhos que façam sentido para seus projetos e desejos.

Dessa forma, colocar o estudante no centro da aprendizagem deixou de ser apenas uma proposta pedagógica para se tornar uma estratégia respaldada por evidências. 

Aspirações para o futuro

Segundo o relatório Future of Education and Skills 2030/2040 (Futuro da Educação e das Competências 2030/2040), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o protagonismo estudantil além de ter potencial de transformar a escola e fomentar a aprendizagem é visto como movimento essencial para preparar os estudantes para empregos que ainda nem foram criados e para lidar com desafios sociais ainda inexistentes, utilizando tecnologias que ainda não foram inventadas. 

Além disso, a pesquisa recomenda que as redes de ensino apoiem os alunos a identificarem e alcançarem suas aspirações para o futuro, por meio de seus projetos de vida. Ou seja, o foco da escola não pode ser mais somente as competências técnicas, precisa ir além, e garantir que crianças e adolescentes desenvolvam conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários para toda a vida. 

Tanto que aspectos relacionados à felicidade e ao bem-estar dos alunos como motivação e pertencimento já estão sendo medidos pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), por meio de questionários aplicados a estudantes, embora a avaliação seja reconhecida por mensurar a proficiência em leitura, matemática e ciências entre os países da OCDE. 

Mais interesse, maior engajamento

Ao participar ativamente do que e como aprende, o aluno tende a ter mais motivação e engajamento – além de permanência, pensando que a evasão ainda é um problema a ser enfrentado na educação brasileira. Afinal, não é muito mais estimulante aprender sobre algo que realmente faz sentido e pode ser aplicado na prática? 

É claro que há conteúdos obrigatórios definidos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que orienta o que deve ser ensinado nas escolas, mas o debate não está no que se ensina, e sim em como. Um exemplo disso ocorre nas cidades de Jaguariúna (SP) e Mata de São João (BA) que ressignificaram a aprendizagem de matemática com a Aprendizagem Criativa (assista ao vídeo).

Quem nunca se perguntou durante sua jornada escolar: o que eu vou fazer com isso? Ou para que tenho de aprender esse conteúdo se não vou aproveitá-lo em nada na minha vida? 

A própria BNCC já aponta a necessidade de uma formação que vá além da transmissão de conteúdos, promovendo o desenvolvimento integral dos estudantes. Nesse sentido, o relatório da OCDE reforça que o estudante precisa ser considerado “como um todo”, com oportunidades que ultrapassam a sala de aula e incluam experiências diversas. 

Entre elas, destacam-se as atividades mais lúdicas, mas também desafiadoras e significativas que, muitas vezes, são negligenciadas, embora influenciem diretamente no seu desenvolvimento. 

Garantir escolas públicas mais equitativas e inclusivas, portanto, é um passo essencial para que todos tenham condições de descobrir e alcançar seus sonhos.

O poder da Aprendizagem Criativa

É justamente nessa direção que o Instituto Escolas Criativas atua, ao apoiar 27 redes públicas em todo o Brasil na transformação das escolas em espaços mais significativos, nos quais os estudantes se sintam pertencentes, valorizados e engajados no próprio processo de aprendizagem. 

Ao incentivar práticas inovadoras, mão na massa em sala de aula, e novas formas de trabalhar o currículo, o Instituto contribui para que a formação integral deixe de ser apenas uma ideia e passe a se concretizar no cotidiano escolar.

Verônica Gomes, cofundadora e diretora de implementação do IEC, reforça que a Aprendizagem Criativa cria oportunidades de colaboração, trocas e compartilhamentos que apoiam esse desenvolvimento na integralidade. 

“É como se ela conectasse todas as pontas do ensino e da aprendizagem com desafios que instigam a construção de recursos que associam o estudante com seu território e sua realidade. Ao trazer as experiências para o concreto, a aprendizagem fica mais evidente”, afirma. 

Nessas experiências, a aprendizagem deixa de ser apenas transmissão de conteúdo e passa a ser construída de forma coletiva envolvendo participação, criação e colaboração pautada em um caminho em que o erro é valorizado como parte do processo. 

Ao experimentar diferentes formas de aprender, os estudantes desenvolvem não só conhecimentos técnicos, mas também autonomia, autoconfiança, criatividade, pensamento crítico e capacidade de se expressar, dimensões diretamente relacionadas ao protagonismo estudantil. 

Melhoria do clima escolar 

Engana-se quem acredita que esse tipo de inovação faz brilhar os olhos somente dos estudantes. Os professores que já aderiram a essa abordagem pedagógica também se sentem mais entusiasmados em lecionar e construir conhecimento valorizando os diferentes saberes dos territórios. 

A Aprendizagem Criativa também contribui com a melhoria do clima escolar. A avaliação de impacto realizada pelo Instituto Escolas Criativas apontou que entre as escolas parceiras do programa, os professores percebem que os alunos são mais respeitosos com os colegas da turma, respeitam mais os acordos estabelecidos e ajudam a criar uma atmosfera agradável para o aprendizado. 

Quando a escola se torna um espaço em que faz sentido estar, aprender e participar, o engajamento cresce e o vínculo entre alunos, professores e comunidade se fortalecem.

Assista aos vídeos que mostram um pouco dessa transformação em diferentes redes públicas de ensino do Brasil. 

Esta é a primeira reportagem de uma série que será publicada no nosso blog até dezembro de 2026. Todos os meses, vamos trazer reflexões sobre temas atuais do mundo da educação que estão relacionados à atuação e missão do Instituto Escolas Criativas.