Diário de Bordo – Expedição Criativa em Caruaru
Nesta edição do Diário de Bordo, queremos compartilhar um pouco da Expedição Criativa realizada com financiadores e parceiros do Instituto Escolas Criativas na rede parceira de Caruaru, em Pernambuco.
Foram dias intensos, marcados por visitas às escolas, apresentações de projetos e encontros com educadores e estudantes da rede municipal. Durante a programação, acompanhamos experiências que mostram diferentes formas de promover a aprendizagem e fortalecer o protagonismo estudantil.
Por isso, reunimos alguns dos momentos que marcaram a expedição para compartilhar o que vimos, ouvimos e aprendemos.
A cultura da cidade abrindo caminho para a aprendizagem
A chegada a Caruaru coincidiu com as festividades de São João, um dos períodos mais tradicionais da cidade. O clima da celebração estava em toda parte e também se refletia no ambiente educacional.
Na Secretaria de Educação, fomos recebidos com mostras de projetos autorais desenvolvidos pelos próprios estudantes da rede municipal. Logo no início, crianças dos anos iniciais apresentaram o projeto Semeando, uma experiência marcada por muita sensibilidade.
Também conhecemos a ação dos Sussurradores de Poesia. Com tubos confeccionados para a atividade, alunos dos anos iniciais sussurravam poemas aos visitantes, proporcionando um momento de acolhimento.
A proposta, articulada por uma professora de biblioteca, foi replicada pelos demais professores de biblioteca da rede municipal, o que contribuiu para ampliar o incentivo à leitura.
Nas redes de ensino, a Aprendizagem Criativa aparece nos detalhes
A agenda de visitas às unidades escolares foi intensa. Em pouco tempo, percorremos duas escolas da rede, com foco especial em uma unidade de Ensino Fundamental II, do 6º ao 9º ano, que funciona em tempo integral.
Em uma delas, a visita coincidiu com a realização de uma feira que marcava a culminância de um projeto de Economia Circular, Empreendedorismo e Projeto de Vida.
Para realizar a feira, alunos e comunidade escolar arrecadaram roupas e outros itens junto às famílias e ao entorno da escola. Esses materiais foram organizados para comercialização dentro da própria atividade.
As trocas aconteciam por meio de uma moeda social criada especialmente para o projeto: a Grosa. O nome resgata uma unidade de medida histórica do comércio nordestino, equivalente a 144 unidades, e dialoga diretamente com a identidade feirante de Caruaru.
A utilização da Grosa fazia parte de toda a dinâmica da feira. Para participar das trocas, os alunos precisavam compreender as regras de circulação da moeda e seu uso durante a atividade.
A professora idealizadora da iniciativa foi premiada pelo projeto, reconhecimento que reforça o potencial de práticas conectadas ao território e à realidade dos estudantes.
Quando a curiosidade abre espaço para a autoria
Em outro momento, enquanto caminhávamos pelos corredores da escola, nos deparamos com murais repletos de desenhos de “plantas mágicas” em vasos. As produções chamavam atenção pela diversidade, criatividade e riqueza de detalhes.
Ao perceberem o interesse dos visitantes, cerca de cinco jovens que já haviam terminado suas tarefas saíram voluntariamente da sala para explicar o projeto.
Eles apresentaram suas próprias produções e também as dos colegas, demonstrando domínio sobre o conteúdo e compartilhando as justificativas por trás das escolhas estéticas e conceituais de cada criação.
Embora o projeto das plantas mágicas tenha sido desenvolvido originalmente na disciplina de Espanhol, os estudantes também o relacionaram a outras experiências da escola, especialmente às aulas de Educação Ambiental e Sustentabilidade.
Eles relataram com entusiasmo o processo de plantio, a criação da horta e o cuidado diário com a germinação das sementes. A naturalidade com que falavam sobre essas experiências mostrava que aqueles aprendizados já faziam parte do cotidiano escolar.
Também demonstravam, de forma espontânea, carinho e admiração pela professora responsável pela horta e pela própria escola.
Tecnologia como aliada da aprendizagem
Outro aspecto que chamou atenção durante a expedição foi a estrutura tecnológica da rede municipal. Além de uma equipe da Secretaria de Educação altamente engajada e tecnicamente preparada, o município conta com uma infraestrutura que permite desenvolver projetos práticos e autorais utilizando a linguagem de programação Scratch.
Com essa estrutura, os alunos têm mais oportunidades de explorar programação, criação digital, resolução de problemas e pensamento criativo.
Ao longo da expedição, ficou evidente que, quando os jovens têm espaço para explorar, criar, experimentar e participar ativamente, a aprendizagem se torna mais significativa.
Essas experiências reforçam o potencial de práticas que valorizam a autoria, a criatividade e a conexão entre escola, território e comunidade.
Quer ficar por dentro dos próximos episódios do Diário de Bordo? Continue acompanhando o blog do Instituto Escolas Criativas.